“Quando falamos mal dos outros, lançamos pedras”, afirma Papa

Neste domingo, 7, antes da oração mariana do Angelus, Francisco comentou a liturgia que apresenta o episódio da mulher adúltera

Abandonar as pedras da difamação e do julgamento, converter-se e recomeçar uma nova vida, esta foi a mensagem que o Papa transmitiu aos fiéis ao rezar com eles neste domingo, 7, na Praça São Pedro, o Angelus dominical. Antes da oração mariana, Francisco comentou a liturgia deste quinto domingo da Quaresma, que apresenta o episódio da mulher adúltera.

Nele, explicou o Papa, se contrapõem duas atitudes: a dos escribas e dos fariseus de um lado e, de outro, a de Jesus. O episódio narra o Mestre ensinando no templo, quando os escribas e os fariseus levam até ele uma mulher surpreendida em adultério. “Os interlocutores de Jesus estão presos nas amarras do legalismo e querem prender o Filho de Deus em sua perspectiva de juízo e condenação”, refletiu Francisco. “Mas Cristo não veio ao mundo para julgar e condenar, mas para salvar e oferecer às pessoas uma nova vida.”

Jesus reage, antes de tudo, permanecendo um pouco em silêncio e inclinando-se para escrever algo no chão e depois diz: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. “Deste modo, Jesus faz apelo à consciência daqueles homens: eles se sentiam ‘paladinos da justiça’, mas Ele os chama à consciência de sua condição de homens pecadores, pela qual não podem atribuir-se o direito de vida ou de morte sobre um seu semelhante”, frisou o Santo Padre.

Os homens abandonam o local um a um e renunciam à lapidação da mulher. Para Francisco, esta cena convida cada um a se conscientizar de que todos são pecadores e a deixar cair das mãos as pedras da difamação e da condenação que, às vezes, são lançadas contra os outros. “Quando falamos mal dos outros, lançamos pedras, somos como eles”, alertou.

No final, ficam somente Jesus e a mulher, “a miséria e a misericórdia”, diz o Papa, citando Santo Agostinho. Jesus se despede da mulher com essas palavras: “Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Este convite, acrescentou o Papa, vale para cada um: “Quando nos perdoa, Jesus nos abre um novo caminho para ir avante. Neste tempo de Quaresma, somos chamados a nos reconhecer pecadores e a pedir perdão a Deus. E o perdão, por sua vez, enquanto nos reconcilia e nos doa a paz, nos faz recomeçar uma história renovada. Toda verdadeira conversão é direcionada a um futuro novo, a uma vida nova, bela, livre do pecado, generosa. Não tenhamos medo de pedir perdão a Jesus, porque Ele nos abre esta nova via”.

Fonte: Canção Nova, com Vatican News